Você tem entre 12 e 24 anos e mora no Brasil?
Você quer ser ouvido e empoderado para enfrentar as violências que vive/vê no seu cotidiano?
Você faz parte de algum coletivo/grupo de jovens ou tem vontade de formar um com seus amigos?
*inscrições limitadas, aguarde a resposta ao formulário
Mano a Mano é um projeto de pesquisa-ação voltado a desenvolver a consciência crítica e fomentar a ação política de adolescentes e jovens em relação à sua segurança e bem-estar. Tem como objetivo central experimentar novos métodos que possam contribuir com práticas eficazes à proteção das juventudes, considerando suas demandas e desejos particulares.
O Projeto é parte do meu atual pós-doutorado, no Instituto de Antropologia da Pontifícia Università Gregoriana (Roma/Itália), realizado entre 2024 e 2027.
A iniciativa aposta, fundamentalmente, no fomento ao debate reflexivo-criativo entre jovens e à promoção de intervenção comunitária. A/os participantes selecionada/os atuam em grupos pequenos (3-10 pessoas), no papel de co-pesquisadores/ativistas, sendo encorajados a abrir espaços de diálogo com seus pares para juntos compreenderem suas realidades de violência e criarem táticas para o seu enfrentamento.
Inicialmente, a/os jovens participam de um conjunto de encontros com a pesquisadora para constituir-se como grupo de trabalho (GT) e elaborar seu projeto de intervenção. Durante a execução do projeto, recebem suporte para experimentação das soluções desenhadas através de mentoria, acesso à materiais e articulações em rede providenciadas pela pesquisadora. É previsto um mínimo de 4 meses de engajamento – tempo contudo variável de acordo com o projeto, necessidades e interesses dos participantes.
O processo de ativação de grupos acontece entre fevereiro/25 e julho/26.
Posteriormente são analisados os resultados, etapa que segue até janeiro/2027. Para tanto, prevê-se a sistematização de dados obtidos durante o monitoramento das ações; a coleta de dados em questionários (online, auto-aplicados) ex-ante e ex-post com todos os participantes; bem como a realização de entrevistas narrativas e grupos focais com jovens selecionados.
Os achados são problematizados considerando os desafios de violência partilhados pelos grupos, e as experiências e percepções individuais. As estratégias utilizadas ao engajamento são também levadas em conta na leitura dos dados. Interessa observar não só como a participação contribuiu ao empoderamento individual e comunitário, mas discutir as demandas e soluções de segurança e bem-estar das juventudes. Em vista de suas vivências, percepções e capacidades, quais pautas foram consideradas mais relevantes enfrentar? Quais táticas inventaram e conseguiram viabilizar para endereçá-las? Quais os desafios de proteção particulares e comuns entre os diversos e diferentes jovens engajados?
O projeto é, em sua etapa final (fevereiro-julho/2027), descrito e disponibilizado aos jovens e profissionais do campo por meio de artigos, participação em eventos e produção de uma cartilha com destaque às práticas que se mostraram mais eficazes.
Amostra e Seleção Participantes
A pesquisa caracteriza-se como de natureza qualitativa exploratória. Para recrutamento dos participantes são combinadas as técnicas de amostragem por conveniência e por quota, tendo como requisito o envolvimento de sujeitos entre 12 e 24 anos.
A amostragem por quota considera a relevância de trabalhar com um universo variado de subgrupos dadas as particularidades das violências vividas de acordo com os desafios estruturais de cada contexto e os suportes individuais para enfrentá-los. Em vista do atual panorama de violência contra jovens no Brasil, busca-se uma mostra diversificada sobretudo em termos de: território; gênero; raça/etnia; classe social; e religião.
Já a escolha pela amostragem por conveniência leva em conta o objetivo de realização de uma pesquisa-ação participativa com jovens e as reconhecidas dificuldades de engajamento da juventude contemporânea. Compreende-se que para viabilizar o projeto a seleção dos participantes deve se dar com base na acessibilidade e disponibilidade.
A partir das técnicas escolhidas foram desenhadas duas frentes para convocação de adolescentes e jovens: abertura de chamada pública divulgada pelas redes pessoais da pesquisadora e parceria com organizações brasileiras atuantes com grupos juvenis. Na primeira linha, os interessados se inscrevem através de formulário online, seja como coletivo (3-10 pessoas) ou indivíduo comprometido a organizar um Grupo de Trabalho com seus pares para desenvolver o projeto. Na segunda, são abertas a organizações convidadas as opções de: 1) sugerir jovens a compor um grupo a ser orientado pela pesquisadora e/ou 2) capacitar educadores para que estes desenvolvam projetos com adolescentes e jovens da organização.
O limite de participantes é dado ao longo do processo de acordo com a adesão, a representatividade da amostra, e as possibilidades operacionais da pesquisadora.
Parceiros
A iniciativa foi elaborada em parceria com o Observatório Jovem da UFF (Paulo Carrano), a Subsecretaria de Assistência Social de Volta Redonda (Larissa Garcez), o Grupo de Estudos Culturais Identidades e Relações interétnicas (Franck Marcon), e o Grupo Pensar (Tiago Gomes). A forma final do projeto teve a colaboração dos jovens ativistas Gustavo Gomes e Carlos Gabriel, de Volta Redonda.
