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Taylor Ariel Barbosa

Taylor Ariel Barbosa

Chapecó/SC, 16 anos

Chapecoco

A cada dia amanhecido, a tensão aumentava

o sol arrebentava violentamente as cortinas que serviam de barreiras,

Seu calor era avassalador, derrubava até os mais trabalhadores. 

E não se engane, por mais ensolarado que fosse, não chegava nem perto de ser um dia de piscina, praia e mpb.

Como mencionei, era tenso. 

Nada queimava, ainda sim sempre era possível ver uma fina camada de fumaça vagando por aí. 

Às vezes, nos fins da tarde, essa cinzetude vagarosa intensificava a cor alaranjada do pôr do sol, abraçando nossa casa num laranja impossível.

Um dia desses foi tão certeira que tudo ficou vermelho, inclusive os céus. 

Se chovesse, não duvidaria que seria sangue, nosso sangue. 

A cidade é barulhenta, mas raramente se ouve algo humano.

No centro, tem obra todo dia, sempre há alguma britadeira ligada em algum lugar. 

Mas, fazem de tudo para deixar a poeira baixa e não deixar que os calorosos eventos acordem o povo. 

Com “povo” me refiro a uma certa parte dessa cidade. Aqueles que chegaram trazendo matança, queimando jovens em frente a catedral.

Foram os primeiros a tomar conta e até os dias de hoje, tem nomes grandes e influências ainda maiores. 

Atualmente esses rostos são raros, todos que tem um pouco mais de grana querem sair daqui o mais rápido possível. 

Ficam os jovens, filhos de pais conservadores, os imigrantes que vêm de toda a América do Sul em busca de trabalho e, os idosos que sentem algum tipo de nostalgia sinistra por esse lugar, por mais desinteressante que seja.

Uma enxurrada de pensamentos fascistas e nazistas vieram junto daqueles que fugiam para cá, seus netos e bisnetos já nascem em uma familia condenada, com essas ideias enraizadas. 

De uns tempos para cá, quem é estudante público só consegue aprender se estudar fora da escola, por conta propria, afinal, na sala de aula nunca tinha professor. Grêmios Estudantis? Nem pensar!! era um absurdo, os estudantes devem ficar fora desses assuntos. 

Os mais inteligentinhos, perceberam as corrupções e tentaram se envolver, criaram um grêmio por conta própria, não durou uma semana. 

“Pra’ que se meter, ne”.

Vez ou outra um grupo de jovens revolucionários diferente aparece e se une com todos os outros para protestar, juntando gradualmente mais pessoas para lutar pela mesma causa.

Os ignorantes fecham as janelas, quando não partem para a ofensa. Já os cinicos, fingiam que essa “escoria” da cidade nem existia.

Os cidadãos que restavam, não se importavam tanto, às vezes até levavam suas crianças para observar o protesto. Certamente não podiam concordar, mas discordar jamais! As vagas de emprego sempre foram precárias e com a chegada dos imigrantes piorou, não que a culpa seja deles, claro. Aqueles grandes nomes eram os patrões, colocavam em suas empresas políticas racistas e neofascistas, criando termos onde o Trabalhador é, livrado por pouco, de ser mantido como escravo.

Tinham corajosos que se arriscaram a trabalhar sem carteira assinada, esses eram feitos de bobos pelos chefes, que cobravam dos jovens – geralmente jovens aprendizes – muito mais do que era o prometido na vaga. Passavam horas, limpavam e até juntavam o lixo a mais do que deveriam.

Conheci um menino que levava até as malas do chefe até seu carro, senão o velho reclamava: “Vou te pagar menos!”.

O pobrezinho aceitava calado, dizia que não ia atrás da polícia por ser menor de idade: “Aí sim que fico sem um tostão!! Se chamo a policia sou demitido, poxa”. Na idade dele, era ilegal trabalhar a noite, mesmo assim ia as 20 da noite e saia as 4 da manhã. 

As autoridades são mantidas como a última opção nas listas imaginárias dos novos, já que, tinham mais ódio por esses do que por reais bandidos. Não é preciso nem pesquisa para se concluir isso, todo adolescente ou recém adulto que se conversa, já levou pelo menos um tapa de polícia. Confiscam as drogas de pequenos traficantes, um cigarrinho de maconha na boca e você arruma problema, mais a noitezinha, os oficiais se juntavam no fim da avenida para cheirar a cocaína apreendida.

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Posted By Taylor Ariel Barbosa
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