Lis, 05/11/2024 – 21h54 (casa do vô)

Não escrevo há tempos. A vida, mesmo que essencialmente agitada, tem sido regada por lágrimas que apenas compõem o oceano. E assim, com o salgado da água e o agito dos mares, me ponho boiando com proeza, evocando os momentos de mudanças inaiceitas, mas acontecidas. Tenho dificuldade em me lembrar se qualquer coisa fora registrada […]
04/04/2025

Morro, porque o contrário não garante ao ser a lembrança eterna. Vivo, porque o contrário não garante ao ser a lembrança eterna. Faço, movo, mais do que penso, realizo; o simples pensar não considera a herança. Cabeça cheia e folhas vazias endossam o esquecimento precoce, ou apenas natural, no fim das contas. A vida vale […]
08/02/2025

O corpo não condiz com a eterna juventude. Hoje acordo tarde, depois da comilança e bebedeira da noite anterior, levanto-me com o sol já deitando. O espelho, pequeno círculo no banheiro, me reflete alguém que não sou eu. A visão é do tamanho de uma segunda feira cansada. Aprendi a cegar aquilo que não entendo. […]
Lis, 18/12/2022 – 21h10

Creio que a roda da costura, ao tecer somente o vermelho, pode nos cegar, na verdade. O tédio, o desinteresse, a previsão fácil e tateável do futuro é matadora. Espero que consigam, dentre os panos rubros, saírem outros pretos, escuros, pegando fogo. Que os incendiados vão embora rapidamente, mas que marquem presença de quando apareceram. […]